SACHS, Ignacy: Caminhos para um desenvolvimento sustentável

Fichamento do livro: SACHS, Ignacy. Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável. 3ª edição. Rio de Janeiro: Ed. Garamond, 2008.

  • Ignacy Sachs: O professor humanista do século XXI.
  • “Todas as características de Sachs se resumem em uma palavra: humanista. Este é um caráter raro entre economistas do século XX. Um humanista que não apenas nos ensinou ou nos transmitiu conhecimentos, como fazem os grandes mestres, mas sim sua maneira de ser intelectual. Somos muitos os que lhe devemos, no Brasil e no mundo inteiro.” Pág. 26
  • “De certo modo, todas as principais civilizações do passado foram civilizações fundamentadas na biomassa, uma vez que dependiam quase que exclusivamente de produtos da biomassa para sua vida material: alimentos e ração animal (como é o caso até hoje), e também combustível, fibras e mobiliário, plantas curativas.”
  • “Nosso problema não é retroceder aos modos ancestrais de vida, mas transformar o conhecimento dos povos dos ecossistemas, decodificado e recodificar pelas etnociências, como um ponto de partida para a invenção de uma moderna civilização de biomassa, posicionada em ponto completamente diferente da espiral do conhecimento e do progresso da humanidade.” Pág. 30
  • “As biotecnologias terão um papel primordial neste esforço de alcançar ambas as extremidades da cadeia de produção, propiciando, por um lado, um aumento na produtividade de biomassa e, por outro lado, permitindo uma expansão na faixa de produtos dela derivados: biodiversidade, biomassa e biotecnologia.”
  • “Para os países tropicais, esta oportunidade é particularmente desafiadora. O clima tropical, por muito tempo como uma deficiência, desaponta agora como uma duradoura vantagem comparativa natural, por permitir produtividades maiores que as apresentadas nas zonas temperadas.” Pág 34
  • “Portanto, os países tropicais, de modo geral, e o Brasil, em particular, têm hoje uma chance de pular etapas para chegar a uma moderna civilização de biomassa, alcançando uma endógena ‘vitória tripla’, ao atender simultaneamente os critérios de relevância social, prudência ecológica e viabilidade econômica, os três pilares do desenvolvimento sustentável.” Pág. 35
  • Com esses objetivos em vista, podemos, agora, voltar às prioridades de pesquisa. As dez sugestões a seguir não são exaustivas em hipótese alguma. A sua finalidade é apenas ilustrativa.
  • “1. Necessitamos, certamente, de melhor compreensão quanto ao melhor funcionamento dos diversos ecossistemas da Região Amazônica. A iniciativa da Large Biosphere-Atmosphere desponta como um passo importante nesta direção.” Pág. 38
  • “2. Em paralelo com a pesquisa baseada em macro dados, há que se prosseguir com a criação de bancos locais sobre a biodiversidade. Alguns trabalhos pioneiros, na Índia, demonstram a possibilidade de se alcançar esta meta, mantendo em mãos nativas o controle desses dados.”
  • “3. Por razões já explicadas, o estudo da diversidade biológica e cultural deve ser conduzido em conjunto por grupos de cientistas naturais e sociais; é necessário um grande esforço neste sentido.”
  • “4. O uso sustentável da biodiversidade requer, ao mesmo tempo, a capacidade de realização de pesquisa avançada no campo da ecologia molecular, nos caminhos das linhas sugeridas pelo PROBEM/Amazônia em 1996 e pelo Instituto Butantã.”
  • “5. O estudo de sistemas de produção integrada, adaptados às condições locais, deve prosseguir em diferentes escalas de produção, desde a agricultura familiar aos grandes sistemas comerciais. Ambos têm lugar em uma estratégia de desenvolvimento sustentável.” Pág. 39
  • “6. Um tema importante para pesquisa é a criação de equipamentos para armazenamento, transporte e processamento de produtos florestais, inclusive os meios de transportes não-convêncionais (zepelins) e unidades móveis de beneficiamento (fluviais).”
  • “7. Diferentes sistemas locais de geração de energia (baseados em biomassa, miniidrelétricas; eólicos e solar) devem ser projetados e testados.”
  • “8. Uma importante área de pesquisa muito negligencia é a da modernização das técnicas empregadas pela agricultura familiar de subsistência. A melhoria no funcionamento deste setor tem impacto direto sobre a vida das populações envolvidas, pela conseqüente liberação de parte da mão-de-obra para atividades orientadas pelo mercado.”
  • “9. A modernização dos sistemas de produção existentes pode assumir maior complexidade com o acoplamento sucessivo de novos módulos de produção. Já foi mencionada a possibilidade da domesticação de espécies locais como, por exemplo, a agregação da piscicultura à agricultura familiar.”
  • “10. O dimensionamento de sistemas de serviços sociais em domicílio (educação e saúde), adaptados às condições específicas da Amazônia rural com sua população dispersa ao longo dos rios. Esta é uma prioridade de pesquisa, considerando que uns maiores acessos a tais serviços são fundamentais para o funcionamento mais eficiente dos sistemas de produção e para a melhoria das condições de vida. O mesmo vale para a comunicação, tanto no acesso às amenidades culturais como às tão necessárias informações sobre as condições de mercado, etc.” Pág. 40/41
  • “A onda da conscientização ambiental é ainda mais recente – embora ela possa ser parcialmente atribuída ao choque produzido pelo lançamento da bomba atômica em Hiroshima e à descoberta de que a humanidade havia alcançado suficiente poder técnico para destruir eventualmente toda a vida do nosso planeta. Paradoxalmente, foi à aterrissagem na Lua – outro feito técnico e científico grandioso – que despertou a reflexão sobre a finitude do que então era denominada Espaçonave Terra. A opinião pública tornou-se cada vez mais consciente tanto da limitação do capital da natureza quanto dos perigos decorrentes das agregações ao meio ambiente, usado como depósito.”
  • “A revolução ambiental (Nicholson) teve conseqüências éticas e epistemológicas de longo alcance, as quais influenciaram o pensamento sobre o desenvolvimento.” Pág. 48
  • “A ecologização do pensamento (Edgar Morin) nos força a expandir nosso horizonte de tempo. Enquanto os economistas estão habituados a raciocinar em termos de anos, no máximo em décadas, a escala de tempo da ecologia se amplia para séculos e milênios. Simultaneamente, é necessário observar como nossas ações afetam locais distantes de onde acontecem, em muitos casos implicando todo o planeta ou até mesmo a biosfera.” Pág. 49
  • “De modo geral, o objetivo deveria ser o do estabelecimento de um aproveitamento racional e ecologicamente sustentável da natureza em benefício das populações locais, levando-as a incorporar a preocupação com a conservação da biodiversidade aos seus próprios interesses, como um componente de estratégia de desenvolvimento. Daí a necessidade de se adotar padrões negociados e contratuais de gestão da biodiversidade.” Pág. 51
  • “De maior importância, pelo lado positivo, foi a intensa reflexão sobre as estratégias de economia de recursos (urbanos e rurais) e sobre o potencial para a implementação de atividades direcionadas para a ecoficiência e para a produtividade dos recursos (reciclagem, aproveitamento de lixo, conservação de energia, água e recursos, manutenção de equipamentos, infra-estruturas e edifícios visando à extensão de seu ciclo de vida).” Pág. 55
  • “Subsídios bem dimensionados podem ter um importante papel na produção de padrões de aproveitamento de recursos sustentáveis. No momento, entretanto, a maior parte dos subsídios está mal direcionada. Os subsídios aos combustíveis fósseis, energia nuclear, transporte rodoviário e pesca tem um efeito perverso devastador.” Pág. 57
  • “Para concluir, faz-se necessário algumas palavras sobre a ciência sombria. Mais do que nunca, precisamos retornar à economia política, que é diferente da economia, e a um planejamento flexível negociado e contratual, simultaneamente aberto para as preocupações ambientais e sociais.” Pág. 60
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2 responses

10 10 2012
riane

vcs salvaram minha vida.perdi meu livro do sachs e tenho um artigo pra hj!
virei fã!
bjusss
r

27 12 2012
lorival ramos junior

verdade esforços devem ser empregados para amortizar o efeito danoso da degradação, uma política de intervenção deve ser o braço direito da sustentabilidade.




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