Murmuração

Sempre falava para as pessoas desde a minha adolescência, que quando eu me casasse, adotaria uma criança, vejam um pouquinho do que resultou nesta história da minha vida.
Aos meus 27 anos aproximadamente, num acaso da vida, fui visitar um orfanato com minha amiga de trabalho, foi aí que aconteceu o primeiro “encontro” com o “outro”, um mundo era muito diferente do meu, que apesar de não ter nenhuma convivência paterna, mas tive muito da presença materna, que é o meu alicerce até hoje.
Mas ver crianças abandonadas ou tiradas dos pais por maus tratos foi um choque brutal, tão pequeninos, indefesos e apesar também de estarem vivendo com o “outro”, sorriam, brincavam e nos davam o seu amor e carinho entre meio a tanta sofrimento, por mais que você veja certas situações pela qual cada uma passou com uma certa freqüência, nunca consegui achar que aquilo era normal ou comum, no momento de ir para casa, sempre saí com muito aperto no coração e tentando controlar o que muitas vezes era inevitável, segurar as lágrimas, havia muito esforço para que isso não acontecesse naquele lugar, mas do portão para fora ou quando se chega ao seu porto seguro, era fato consumado.
Com o passar do tempo fui me envolvendo com algumas instituições, mas por mais que haja esta convivência, nunca iremos nos acostumar com o “outro”.
Sinto, que apesar de ter presenciado algumas situações de revolta ou de muita tristeza em minha vida, vejo que não aprendi, ou se aprendi, não coloquei em prática um aprendizado muito importante, deixar de reclamar.
Muitas vezes não conseguimos ver que temos muitas coisas boas em nossa vida, como: uma família, um emprego, uma opção de fazer uma faculdade, uma viagem, ter o prazer de simplesmente poder ver um por do sol, estar entre amigos, etc. Mas, na maioria dos momentos de nossas vidas, estamos cegos, surdos e murmurando.

Meire Vidal

One response

21 06 2010
Suzana

Pois é, mas vc está indo além do murmuro. Boa sorte na sua empreitada. Bjs.




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